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GDS
A abordagem
própria das cadeias Musculares é provavelmente a única que tem o objetivo
de individualizar a escolha de técnicas de tratamento mais apropriadas
à especificidade de cada paciente. Essa escolha é feita a partir da identificação
de certas características psicomotoras que ele possa apresentar.
O corpo
é um meio de comunicação extraordinário, que devemos conhecer e estruturar.
Para uma abordagem individualizada - seja ela preventiva ou curativa -
é importante "olhar" as mensagens gestuais e posturais desse corpo, para
decifrá-las e entrar em comunicação, (verbal e não verbal) com ele.
É fundamental que ocorra tal diálogo entre terapeuta e o corpo do paciente,
sobretudo quando a palavra está ausente, viciada ou "doente".
Características
gerais:
1.
É primeiramente um método de leitura da postura, dos gestos e formas
do corpo que fornece elementos para a compreensão dele e para o diálogo
entre terapeuta e paciente, seja ele bebê, criança ou adulto. Tal leitura
vai delimitar um tipo de "terreno", psicomotor e fisiológico, com seus
pontos fortes e fracos, e sugerir uma abordagem terapêutica apropriada
ao terreno e uma estratégia de prevenção.
2.
As observações relativas ao modo como o paciente utiliza o corpo irão
por sua vez determinar os "modos de emprego" mais adequados a esse específico
sistema locomotor. O resultado será um modo funcional e personalizado
de equilíbrio, harmonização e utilização corporal mais consciente
e adaptado ao paciente e às exigências do seu ambiente.
3.
É um método de tratamento que emprega uma diversidade de técnicas: ajustamentos
osteoarticulares, modelagens, harmonização das tensões musculares (accordage),
manobras que associam contrações isométricas e alongamentos, posturas
e massagens. Estas ultimas podem ser profundas ou mecânicas, leves e energéticas
e principalmente reflexas.
Os
temas principais do Método de Cadeias são o funcionamento harmonioso
do corpo e o respeito à sua tipologia, o equilíbrio dos seus vários
segmentos, a unidade e organização deles ao redor de um centro.
Corrigir
as imagens errôneas que temos do próprio corpo e do seu funcionamento,
para depois "construí-se" com imagens justas, é procedimento essencial
para funcionarmos com mais facilidade, retardando os efeitos do uso. A
"imagem justa" é ainda mais importante quando queremos acelerar uma recuperação,
ultrapassar um handicap, ou as seqüelas de um traumatismo ou de cirurgias.
Equilíbrio,
unidade do corpo, organização correta ao redor de um centro, não se
atingem unicamente com desbloqueios de articulações ou de cadeia de músculos,
nem desbloqueio de emoções. Chega-se a esse resultado através de uma
construção. Através da estruturação lenta, consciente e precisa de
um corpo e de um espírito freqüentemente fragmentados em conseqüência
de nossos modos de pensar e de viver. Trata-se de um corpo a construir
ou a reconstruir, e que é o "local" onde se localiza o "centro" e a unidade
da pessoa.
O momento
que atravessamos oferece essencialmente meios de desfazer, diluir e eliminar,
porém oferece pouco no sentido de solidificar, refazer, enraizar, de organizar,
enfim. Desfazer, desbloquear são somente etapas de passagem. É preciso
organizar e consolidar para se chegar ao resultado final.
GDS
não acredita que existam técnicas melhores ou piores que outras. Existe
sim, a aplicação desastrosa de técnicas que, seguindo a moda ou a rotina,
são aplicadas a todos sem discernimento. Ou quando o terapeuta projeta
o seu vivido no paciente, buscando através do outro o processo da própria
terapia. Quando mais a técnica é eficaz mais ela pode curar. E mais ela
pode prejudicar.
Outro
ponto dos mais importante no Método GDS é que ele oferece a cada um a
possibilidade de assumir o trabalho terapêutico e preventivo sobre si
próprio. Estão ao alcance de todos nós algumas chaves para nosso próprio
corpo. Podemos aprender a desenvolver uma estratégia psico-corporal de
prevenção, adequada ao nosso caso ou contribuir para a cura de nosso
organismo "doente".
CLASSIFICAÇÃO
SUMÁRIA DE SEIS FAMÍLIAS MUSCULARES (CADEIAS)
Seis
formas de equilíbrio na posição ereta, de utilização do corpo, e de
comportamento.
No
método GDS, como vimos, a linguagem corporal e o comportamento estão
associados ao sistema muscular que concretiza a mensagem que o corpo deseja
exprimir. Ou, em outras palavras: o Método considera seis formas primárias
de expressão corporal ligadas aos grupos musculares que as produzem. São
quatro formas principais e duas secundárias.
Comecemos
pelas quatro formas de equilíbrio em pé, vistas no plano sagital. Temos
aí também quatro formas de dinamismo. Elas podem aparecer isoladamente,
como a estruturação dominante do corpo, ou em combinações variáveis.
PM
Cadeia Posterior Mediana
Na
figura 2a, o corpo está em desequilíbrio para a frente. É a atividade
muscular posterior que mantém o corpo em equilíbrio. São grupos musculares
principalmente posteriores e medianos. Daí a abreviação PM. O corpo
precipita-se para a frente. Ao fazê-lo está respondendo a certas pulsões
comportamentais, a certas escolhas.
As
escolhas da estrutura PM se dirigem mais facilmente para o agir, ou, no
limite, para a simples agitação mental e física. Comportar-se em PM
é, por exemplo, preferir projetar-se no futuro, prever, antecipar. Para
tanto o indivíduo necessita saber e dominar certos conhecimentos referentes
ao mundo exterior. Trata-se de uma estrutura de ideação e de ação.
AM
Cadeia Anterior mediana
Na
figura 2b, o corpo, principalmente o tronco está em perda de equilíbrio
para trás. É a atividade de grupos musculares anteriores que garante
o equilíbrio. São eles principalmente os músculos anteriores e medianos
do tronco. Daí chamarmos essa forma de equilíbrio de AM. Aqui o corpo
parece querer recuar ou apoiar-se contra uma parede, ou sentar-se.
Comportar-se
em AM é escolher preferencialmente uma impulsão que busca o apoio atrás.
Apoiar-se em baixo e atrás pode significar, por exemplo, que, para avançar,
essa tipologia parte das coisas adquiridas do passado, da sua herança
cultural e familiar. É uma construção feita em cima de solidez daquilo
que já se possui. Trata-se também de uma estrutura inclinada para as
esferas afetivas e sensoriais.
PA-AP
Cadeia Postero-Anterior e Antero-Posterior
Aqui
não há desequilíbrio, nem para frente nem para trás. PA AP está no
centro.
Estamos
falando aqui de duas estruturas, ou duas formas muito próximas não só
pela maneira como organizam o seu equilíbrio como também por numerosos
aspectos no plano comportamental. Parecem, entretanto apresentar dinamismos
opostos. Impulsão para cima em PA, impulsão para baixo em AP (figura
1c). Ambos, porém alinham os segmentos corporais o mais próximo possível
da vertical gravitaria (PA), ou com afastamentos que se equilibram de um
lado e de outro dessa vertical (AP). Tanto num como noutro caso, a atividade
dos poderosos músculos posturais anteriores e posteriores está bastante
diminuída, ou reduzida ao mínimo. As cadeias anterior e posterior ficam
em repouso, e o tronco fica assim liberado. Essa situação favorece a
atividade muscular de grupos que seguem um trajeto postero-anterior e antero-posterior.(PA-AP).
São músculos localizados mais internamente com uma ação mais sutil
que aqueles das cadeias PM e AM, e intervêm na atitude ereta da coluna
e na respiração.
Quando
a estrutura AP se particulariza isolada, ou se sobressai, vemos que também
conserva um equilíbrio estável, porém sem a impulsão para cima característica
de PA. Isto é, as massas corporais - bacia, tórax e cabeça - se equilibram
de um lado e de outro da vertical central. O equilíbrio é estável, porém
o corpo apresenta uma atitude indolente. Diríamos que essa estrutura,
aparentemente, obedece à lei do mínimo esforço muscular, e se deixa
levar para baixo.
Quando
associada a PA ela conserva, porém uma potencialidade enorme de impulsão
para cima. Física e psiquicamente as duas estruturas reunidas são feitas
para o salto, para a impulsão. AP é a mola; reagrupa o corpo, que se
relaxa e desce para melhor saltar. As duas estruturas - PA e AP - são
orientadas por motivações e escolhas que buscam ultrapassar-se, ir a
procura do ideal, do absoluto. São de natureza emocional e impulsiva.
Acabamos
de descrever, sumariamente, três dinamismos fundamentais, ou três formas
de equilíbrio do corpo relativamente à vertical gravitaria, e que resultam
em quatro estruturas. Todos esses dinamismos estão presentes em nós,
porém em relações quantitativas e qualitativas diferentes. Para chegar
a elas examinamos o corpo no plano sagital. Vamos observar a seguir duas
formas de expressão, examinando-as no plano frontal associado ao horizontal.
Essas duas outras formas de equilíbrio determinam um complemento de expressão
humana, susceptível de associar-se às formas fundamentais descritas antes.
PL
Cadeia Postero-Lateral
Corpo
"aberto" com base de sustentação larga. Os grupos musculares que intervêm
aqui agem principalmente na altura dos quadris e dos ombros. São, sobretudo
músculos abdutores e rotadores externos, cuja localização é posterior
e lateral nos quadris e nos ombros. Daí a abreviação PL.
As
escolhas comportamentais ligadas a essa expansão lateral e a essa abertura
anterior do corpo são as de uma pessoa extrovertida, (ao menos na aparência
que oferece aos outros), e voltada para a relação com o exterior.
AL
Cadeia Antero Lateral
Corpo
"enrolado" sobre si próprio, com base de sustentação estreita. Aqui
também os grupos musculares estão essencialmente ativos nos quadris e
nos ombros. São músculos adutores e rotadores internos localizados anterior
e lateralmente na altura dos quadris e dos ombros. Dai a abreviação AL.
As
escolhas comportamentais associados a esse estreitamento lateral do corpo
e seu fechamento anterior, são os de uma pessoa introvertida, reservada,
circunspeta e cautelosa nas suas relações com exterior.
"Se
o nosso PL extrovertido corre risco de dispersão, as opções do AL vão
ao sentido da redução dos centros de interesse, do aprofundamento e da
especialização."
MARCAS
DO CORPO
A partir
de um comportamento preferencial e repetitivo, o corpo torna-se portador
de certas "marcas". Isso acontece com mais intensidade, quando a manifestação
de um comportamento é contida por qualquer razão de natureza social.
O corpo também mostra, àquele que se dispõe a fazer uma leitura dele,
índices reveladores de certas predisposições. A prevenção, e não
somente a terapia, torna-se também possível.
A "deformação"
não é necessariamente resultado do acaso ou da má sorte. Se estivermos
conscientes e vigilantes, a predisposição poderá ser contornada.
A partir
de elementos exteriores percebidos e elementos interiores vividos, utilizamos
nosso corpo para exprimir através de nossas posturas, gestos e mímicas,
(ou seja, através de nossos músculos) aquilo que pensamos e sentimos.
Mesmo quando a expressão é inibida, o sistema neuro-muscular é ativado
da cabeça até as mãos e os pés. Pensamentos e emoções põem em atividade
grupos musculares que colocam todos os segmentos do corpo em estado de
prontidão, tanto para a expressão como para a ação.
A tensão
aumenta nesses grupos musculares. Por sua vez o sistema muscular mobiliza,
ou fica pronto a mobilizar, a estrutura óssea, tracionando as aponevroses
e instalando - sobretudo quando a ação é inibida - linhas de tensão
ao longo do corpo. Essas linhas de tensão são definidas pelo termo Cadeias
Músculo-Aponevróticas. A repetição da mesma "atitude" neuro-muscular
acaba deixando no corpo certas "marcas". Enquanto essas "marcas" não forem
excessivas ou rígidas estaremos falando de tipologias, de tipos psico-corporais.
Quando elas se tornam excessivas e fixadas, o organismo para a correr perigo.
A identificação
das "marcas" excessivas ou prejudiciais e a identificação da mecânica
que é entravada por essas "marcas" tornam-se reflexão essencial para
definir uma ESTRATÉGIA DE TRATAMENTO. Esse é, portanto o primeiro problema
a ser enfrentado pelo terapeuta "cadeista": definição de uma forma de
equilíbrio própria de cada corpo, localização e interpretação das
marcas características desse corpo, comparando-as a certos tipos de referência.
Equilíbrio
das Massas Postura Equilibrada
Marcas
que determinam algumas patologias articulares:
Obs:
quando se usa o termo "cadeia em excesso", significa que está muito encurtada,
provocando assim as "marcas".
Atitude
PM em Excesso
(Maior
Pulsão Para Frente) Atitude AM em Excesso
(Maior
Pulsão Para Trás)
Atitude
PA Fixa
(Maior
Pulsão Para Cima) Atitude AP
(Maior
Pulsão Para Baixo) Atitude PA-AP em Excesso
(Divórcio
Entre as Duas Cadeias)
Atitude
Arqueada PL
(Maior
Pulsão Lateral) Atitude Contida AL
(Maior
Pulsão Para o Fechamento)
GDS,
assim também como outros teóricos, acredita que aquilo que ela chama
de "marcas excessivas" - e que outros chamam de deformações - são resultados
de nossa própria força muscular mal distribuída, excessiva em certos
pontos e quase ausente em outros. Essa força ou tensão desloca-se de
um músculo para outro da mesma família muscular, ou Cadeia, marcando
assim um outro segmento dela.
Uma
pesquisadora pioneira na área dos problemas posturais, MMe. FRANÇOISE
MÉZIÈRES, foi levada a pensar que bastava "contrariar" ao mesmo tempo
todos os componentes da cadeia articular e muscular, com a ajuda de um
alinhamento total de todos os segmentos do corpo, para obrigar a tensão
a abandonar essa cadeia.
Na
pratica isso não é sempre possível. É imperativo levar em conta a necessidade
de dosar adequadamente, de respeitar mecanismos de defesa e considerar
as possibilidade práticas desse tensionamento global do corpo.
Quando,
como, para quem? GDS considera que somente com certos pacientes e em certos
momentos é que se deve recorrer a estiramentos globais. Necessário se
faz recorrer a outras estratégias. Conhecendo o princípio do deslocamento
das tensões que nos aprisionam e que determinam também o deslocamento
dos sintomas, temos que trabalhar usando as mais deferentes estratégias.
O "cadeista" estudará outras maneiras de adaptar-se ao paciente, para
evitar o deslocamento dos sintomas musculares para as esferas orgânicas
e psíquicas, para evitar o abandono prematuro das defesas, para reconstruir,
depois de regularizar as tensões.
Repetindo
o que dissemos anteriormente, para GDS todas as técnicas podem ser boas
desde que aplicadas criteriosamente, segundo as características do paciente.
As
técnicas reflexas trabalhadas sobre a pele, por exemplo, tem grande importância
no arsenal de recursos do Método GDS.
Trata-se
de tornar a pele permeável, capaz de realizar sua função de eliminação
para o exterior, com vistas a impedir que os sintomas se desloquem para
o interior. Busca-se devolver à pele sua função reguladora, que não
são unicamente de ordem química, mas também de ordem mecânica. Convém
lembrar que as técnicas de massagem reflexa têm repercussões mecânicas
também, além das orgânicas.
GDS
faz uso da pele para enviar mensagem estruturantes aos os nervos, à musculatura
subjacente, e também às estruturas profundas, ossos e órgãos.
RESUMINDO
"O
método GDS fornece instrumentos de pesquisa, indicações para saber como
olhar o corpo que temos diante dos olhos, como analisar uma situação,
comparar, seguir uma evolução e compreendê-la."
Para
a fase terapêutica propriamente, faz uso de múltiplas estratégias e
combinações de técnicas: técnicas de pele, percussão nos ossos, alongamentos
específicos, modelagens, manobras de "reafinação" entre as direções
de tensão de músculos próximos (accordage), contrações isométricas,
exercícios de ativação, mobilizações espiróides, conscientização
e ginástica mental, etc.
Fazendo
uso do conjunto de leituras do corpo, de leituras do ambiente físico e
mental que cerca o paciente, dos princípios de equilíbrio cada terapeuta
encontra suas próprias estratégias, que ele refinará com a experiência
em função de cada um dos seus pacientes.
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